Gi ou no-gi: por onde um iniciante deve começar?
O jiu-jitsu com kimono é mais lento e cheio de pegadas; o no-gi é mais rápido e mais de scramble, e a lógica posicional embaixo é a mesma. Para a maioria dos iniciantes, o que decide é qual turma a sua academia faz bem.
Faça essa pergunta em qualquer academia e você recebe uma resposta com o formato da preferência de quem respondeu. Aqui vai a versão sem lado.
As diferenças reais
| Gi | No-gi | |
|---|---|---|
| Pegadas | Gola, manga, calça, lapela: dezenas de alças fixas | Punhos, pescoço, underhooks e body locks, só isso |
| Ritmo | Mais lento. As pegadas permitem segurar, travar e pensar | Mais rápido. Menos alças significa mais scramble |
| Controle | Mais fácil segurar alguém parado | Mais difícil segurar, mais fácil escapar |
| Finalizações | Tudo, mais estrangulamentos de gola e ataques de lapela | Sem estrangulamento de pano, mais foco em pescoço e pernas |
| Ataque de pernas | Presente, culturalmente menos dominante em muitas academias | Mais central na maioria das salas modernas |
| Suor | O pano absorve | Tudo escorrega |
| Equipamento | Um kimono (e com o tempo dois), mais a faixa | Rash guard e bermuda ou legging |
| Cena competitiva principal | IBJJF e regras com kimono | Eventos estilo ADCC e só finalização |
Tudo abaixo da superfície, a hierarquia de posições, a base, os apoios, a lógica de passagem e de retenção, é compartilhado. Uma passagem é uma passagem. Cem quilos são cem quilos. É por isso que quem treina um por anos se adapta ao outro em semanas, não em anos.
O que cada um ensina mais rápido
O gi ensina paciência e precisão. As pegadas desaceleram o jogo o suficiente para pensar, que é exatamente o que um iniciante precisa, e punem estrutura desleixada na hora. Quem aprende de kimono costuma desenvolver apoios melhores e uma noção melhor de quando uma posição está de fato controlada, porque no gi isso fica muito evidente.
O no-gi ensina movimento e urgência. Sem pano, o controle é temporário e você aprende a continuar, a recuperar posição, a usar underhook e body lock em vez de alças. Quem aprende no no-gi costuma fazer scrambles melhores e ser mais difícil de segurar embaixo.
O conselho clássico, de que começar de kimono te deixa técnico, não é falso, e costuma ser dito com força demais. A versão mais sólida do argumento é que o gi dá ao iniciante mais tempo para tomar decisões, e iniciantes se afogam em velocidade de decisão, não em técnica.
O fator que realmente decide
Treine a turma que a sua academia faz bem, no horário em que você consegue mesmo ir.
Não é fuga da pergunta, é a variável de maior valor. Um programa de no-gi bem dado, com bons parceiros, nas noites que você tem livres, vence uma aula de kimono que você frequenta a cada quinze dias porque o horário briga com você. Constância domina tudo o mais nos dois primeiros anos.
Considerações secundárias, em ordem aproximada de utilidade:
- O que você quer fazer lá na frente? Objetivos ligados a MMA ou wrestling apontam para no-gi. Progressão tradicional de faixas e competição IBJJF apontam para gi, já que o sistema de faixas da IBJJF é construído em torno da competição de kimono.
- Quanto você odeia calor? Kimono no verão é uma consideração real, e quem desiste por desconforto não ganha uma segunda chance de ter sido constante.
- Custo. Um kimono é um gasto inicial; rash guards são mais baratos para começar e são trocados com mais frequência.
- Histórico de lesão. Pegadas de kimono carregam muito os dedos. Se as suas mãos já são um problema, o no-gi é mais gentil. Salas de no-gi tendem a ter mais enrosco de pernas, que é outro perfil de risco para os joelhos.
Faça os dois se puder, mas não já
Depois que você consegue sobreviver aos rounds, fazer os dois é uma vantagem real: o gi afia a sua estrutura e o no-gi te mantém honesto sobre se o seu controle depende do pano. A maioria de quem faz os dois diz a mesma coisa: o gi deixou o no-gi mais paciente e o no-gi deixou o gi mais móvel.
Antes disso, se dividir faz mais mal que bem. Um iniciante que divide um treino semanal entre dois regulamentos recebe metade das repetições de cada um, e os detalhes diferem o bastante para atrasar a curva inicial.
O que transfere e o que não
Transfere por completo: hierarquia de posições, base, postura, apoios, movimento de quadril, fugas, conceitos de passagem e toda decisão sobre quais opções uma posição oferece. Isso é a maior parte do jiu-jitsu, e é por isso que a árvore de decisões de uma posição é idêntica com ou sem pano.
Não transfere: pegadas específicas, estrangulamentos de gola, controle de lapela e algumas guardas que dependem inteiramente do kimono, como spider e laçada. Nem o ritmo, que surpreende na primeira vez que você cruza. O primeiro round de no-gi de um jogador de gi costuma ser procurar alças que não existem mais.
perguntas sobre gi e no-gi
Gi ou no-gi é melhor para defesa pessoal?
Os dois têm argumentos e nenhum encerra o assunto. Pegadas de kimono se parecem com agarrar roupa, o que é uma semelhança real com a rua. O no-gi se parece com uma troca suada, escorregadia e caótica, o que também é realista. O fator muito maior é treinar contra resistência, e os dois fazem isso.
Preciso comprar um kimono para a primeira aula?
Normalmente não. A maioria das academias empresta um para a aula experimental, e muitas têm turmas de no-gi em que você só precisa de rash guard e bermuda sem bolsos ou zíperes. Pergunte antes de comprar qualquer coisa.
Dá para ser promovido treinando só no-gi?
Dá. As faixas são dadas pelo seu professor independentemente das turmas que você faz, e muitos praticantes que treinam sobretudo no-gi têm graduação de gi. Pelas regras da IBJJF, as graduações são o mesmo sistema.
No-gi é mais difícil para iniciantes?
É mais rápido e mais difícil de controlar as pessoas, o que alguns iniciantes acham frustrante e outros acham libertador. As exigências técnicas não são menores, são diferentes: menos coisa para segurar e mais movimento para acompanhar.
Em qual devo competir primeiro?
Naquele que você mais treina. Competir num regulamento que você quase não pratica acrescenta uma variável desnecessária a uma primeira experiência que já é estressante.